Festival O Som das Palafitas, do Arte no Dique, segue sexta e sábado com shows de Diego Alencikas e Conrado Pouza

O festival O Som das Palafitas tem levado anualmente apresentações musicais – gratuitas – de nomes como Armandinho Macedo, Luiz Caldas, Geraldo Azevedo, Hamilton de Holanda e A Cor do Som ao Dique da Vila Gilda, em Santos, comunidade onde mais de 25 mil pessoas vivem sobre palafitas, a maior favela do gênero no país e uma das maiores da América Latina.

A iniciativa do Instituto Arte no Dique e presente no calendário oficial da cidade busca promover a democratização do acesso à cultura, a formação de plateia para a música brasileira, o fomento da economia criativa local (moradores da comunidade podem armar barraquinhas e comercializar seus produtos), e o intercâmbio entre músicos consagrados da música popular brasileira e artistas regionais, que sempre abrem os shows.

Em virtude da pandemia do coronavírus, O Som das Palafitas é realizado online este ano. Se há a perda do contato próximo entre artistas e público, por outro lado o evento pode ser acompanhado em qualquer parte do mundo e evento ganha caráter filantrópico. Durante os shows, transmitidos nas redes sociais da instituição no formato live, há um QR Code no qual as pessoas poderão fazer doações. O valor arrecadado será usado para a compra de equipamentos utilizados pela entidade e instrumentos para as oficinas musicais, e também para a reforma da fachada da entidade. 

O festival começou dia 4, com show de Danilo Nunes homenageando Moraes Moreira e seguiu na noite  seguinte com apresentação do DJ Cuco. Depois foram Matheus Vasconcelos, Simone Ancelmo, Monna, Edson Kbça e Gabriel Prado que se apresentaram. Esta é a primeira fase do O Som das Palafitas 2020, só com artistas da Baixada Santista. 

Os shows seguirão sempre às sextas e aos sábados, 20h: Diego Alencikas (25 de setembro), Conrado Pouza (26 de setembro), Julinho Bittencourt (2 de outubro) e Jotta R (3 de outubro).

 “São dez apresentações e 11 artistas da região. É nossa forma de valorizarmos a produção artística local, principalmente nesse cenário bastante difícil para a classe cultural com a pandemia. Muitos deixaram de ganhar o seu sustento do dia a dia com o fechamento de bares, casas noturnos e cancelamento de shows e festivais presenciais, e dependem de iniciativas assim para se manterm”, detalha José Virgílio. “Também esperamos que essa edição seja o embrião de um grande festival de música regional autoral que pretendemos desenvolver, de maneira presencial, a partir de 2021”, destaca o gestor.

Maior edição já realizada e homenagem a Moraes Moreira

Outro diferencial que chama a atenção é o aumento do número de atrações e também os destaques de alcance nacional. Em comum, todos os shows contarão ao menos com uma canção composta por Moraes Moreira, homenageado pelo projeto. O cantor e compositor baiano, que faleceu em 13 de abril, é um dos patronos do Arte no Dique. O presidente do instituto, José Virgílio Leal de Figueiredo é conterrâneo de Moraes e foi amigo do autor de clássicos como Acabou ChorarePreta Pretinha e Pombo Correio, entre muitos outros hits.  Moraes já se apresentou no espaço e batiza o estúdio da organização social. “Foi alguém fundamental na história do Arte no Dique, que nos ajudou a abrir portas, trouxe credibilidade para a ONG e levou o nosso nome Brasil agora”, ressalta José Virgílio.

Fase nacional

A partir de 10 de outubro a programação contará com grandes artistas do cancioneiro popular e da música instrumental do país: Sandra de Sá (10 de outubro), José Gil e Maria (17 de outubro), Charlie Brown Jr. (24 de outubro), Moreno Veloso (31 de outubro), Hamilton de Holanda (7 de novembro), Gilmelandia e Luciano Calazans (14 de novembro), Davi Moraes (21 de novembro) e Armandinho Macedo (28 de novembro) formam o line up do evento. Este último também será o mestre de cerimônias destas apresentações.

Programação:

25.09 – Diego Alencikas

26.09 –  Conrado Pouza

02.10 – Julinho Bittencourt

03.10 – Jotta R

10.10 – Sandra de Sá
17.10 – José Gil e Maria
24.10 – Charlie Brown Jr
31.10 – Moreno Veloso
07.11 – Hamilton de Holanda
14.11 – Gilmelandia e Luciano Calazans
21.11 – Davi Moraes
28.11 – Armandinho

Os shows serão transmitidos pela página www.facebook.com/artenodique e pelo Youtube www.youtube.com/artenodiquetv.

Sobre o Arte no Dique

28 de novembro de 2002. Nessa data foi lançada a pedra fundamental do Instituto Arte no Dique. Passados 17 anos, mais de 15 mil pessoas, em grande parte moradores do Dique da Vila Gilda, em Santos, frequentaram as oficinas da instituição, tiveram acesso à cultura e à arte. “Cultura como um todo”, como costuma dizer o presidente da ONG, José Virgílio Leal de Figueiredo, já que o Arte no Dique trabalha, com seus colaboradores, alunos, frequentadores, parceiros, a questão da cidadania. Desde a entrega semanal de leite para a comunidade, até as oficinas de percussão (que deram início ao projeto), violão, dança, informática, customização, as exibições de filmes seguidas de debates, shows. Artistas de renome como Gilberto Gil, Moraes Moreira, Sergio Mamberti, Lecy Brandão, Wilson Simoninha, Hamilton de Holanda, Armandinho Macedo, Luiz Caldas, Geraldo Azevedo, Luciano Quirino, entre outros, já se apresentaram no espaço.

Diariamente, cerca de 600 pessoas participam do projeto, que tem a missão de oferecer oportunidade de transformação e desenvolvimento humano e social a crianças, adolescentes, jovens e adultos através da participação da comunidade em ações educativas, de geração de renda, meio ambiente e valorização da cultura popular da região. O trabalho sério, que gerou importantes resultados inclusivos, levou a instituição a tornar-se referência em inclusão social, no Brasil e no exterior, sendo convidada diversas vezes festivais e congressos.

Sobre o Intercâmbio cultural:

O Intercâmbio Cultural Internacional teve início em 2012. Desde lá, os participantes do Arte no Dique tiveram a oportunidade de visitar e receber artistas e empreendedores sociais de diversos países da América do Sul e Europa. Com isso, foi possível oportunizar a troca, vivência e ganho de repertório cultural e social de crianças e jovens e de todo o público envolvido nessa ação.

Ao longo desse período, dois jovens que frequentavam as oficinas de percussão do Instituto Arte no Dique decidiram viver profissionalmente em solo europeu, eles são: Gabriel Prado, 22 anos, morador de Bari na Itália onde vive há quatro anos, e Jorge Henrique, da mesma idade, morador de Marselha, na França, há dois anos.

Em 2019, oito crianças entre 07 e 12 anos, moradores do Dique da Vila Gilda e de bairros vizinhos, estão realizando ensaios diariamente para uma nova oportunidade. A experiência foi repetida em 2020, com nove crianças. Tal jornada em outro país permite, ainda que por alguns, aos envolvidos encontrar um “novo mundo”, onde têm acesso a outros hábitos, costumes, identidades, gastronomia, idiomas, horizontes, enfim, cultura.

Hoje o Arte no Dique faz parte do projeto Scholas Ocurrentes, do Vaticano. Outras informações em www.artenodique.com.br,  www.facebook.com/artenodique   e www.youtube.com/artenodiquetv