Ederson dos Santos leva o samba da laje santista para o Brasil

fotos - imprensa (3)“Eê vida boa, vida boa é na comunidade, êê vida boa, vida boa é na comunidade”. O refrão que tem ganhado as rodas e casas de samba do Rio de Janeiro pertence à música“Comunidade” (https://www.youtube.com/watch?v=A5oWDJV8V3M), gravada em abril no último álbum de Ito Melodia, cantor da escola de samba União da Ilha do Governador e ganhador do prêmio Estandarte de Ouro, pelo voto popular, como melhor intérprete do carnaval carioca. Os compositores da canção são Kiki Marcellos, Fábio Alemão e o santista Ederson dos Santos.

Essa é uma entre outras composições – individuais ou em parceria – de Ederson que têm ganhado a voz de grandes nomes do samba como Fundo de QuintalMario Sérgio e até presença na televisão, a exemplo do Esquenta, da Rede Globo, que executava a faixa“Xô, Preconceito” (https://www.youtube.com/watch?v=SnRu451xo8g). 

Aos 35 anos, o compositor, cantor e músico nascido no Jardim Piratininga é um dos sambistas da Baixada Santista mais requisitados nacionalmente.

No currículo, possui o CD “Meu Samba Vai te Conquistar”, de 2012, completamente autoral em suas doze músicas, e o DVD “Pagode Puro” (2016). Ambos elogiados por público, crítica e colegas de profissão.

Semanalmente, pode ser visto às quintas-feiras, no distrito Vicente de Carvalho, no Guarujá, quando se apresenta no Guetto’s, às 20h (R$ 10 para homens e R$ 5 para mulheres) e, às sextas, 21h, no Maria Chuteira (R$ 15), em Santos.

Nesses dois dias, centenas de pessoas se reúnem para ouvir Ederson, acompanhado de sua banda, apresentando as próprias composições e alguns clássicos do gênero musical.

HISTÓRIA

 

Primeiros contatos com a música

A relação de Ederson com a música vem desde pequeno. Seu pai tinha uma vasta coleção de vinis. Com o samba, seu primeiro contato foi a partir da trilha sonora da novela “Cambalacho” (1986), mais especificamente a música “Tiro ao Alvo”, composta por Adoniram Barbosa e cantada por Elis Regina naquela versão. “Foi o primeiro samba que aprendi”, diz.

Quatro anos depois, ele pediu ao pai o disco de outra novela, “Mico Preto” (1990), que tinha um samba de Neguinho da Beija-Flor. “Meu pai teve a sagacidade de me dar a canção que pedi, mas ao invés do álbum com a trilha sonora do programa televisivo, ele me deu o próprio disco do Neguinho. Foi meu primeiro disco de samba”, relembra.

“Depois disso fui visitando a discoteca do meu pai e da minha mãe e consumi muita música boa. Existiam muitos álbuns de samba, Fundo de Quintal, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, mas também consumi muita coisa que me ajudou a construir minha musicalidade: Beatles, música latina, Roberto Carlos, Emílio Santiago, Elimar Santos, cantores brasileiros. Tive uma convivência muito feliz com a música dentro de casa”, afirma.

Início da carreira

“Nos anos 90, aos 12 anos, surgiu aquela grande leva de grupos de pagode, uma nova vertente do verdadeiro pagode dos anos 80, mas que em mim teve grande impacto. Nas rádios você ouvia os instrumentos do samba”. Nessa época, ele comprou seu primeiro pandeiro. E na mesma loja descobriu Cartola, Noel Rosa, João Nogueira e outras referências do gênero musical.

Aos 14 anos, passou a se apresentar na noite. Tocou ao lado de nomes importantes do samba santista como Dom Benê, que lhe deu a primeira oportunidade de cantar à frente de uma banda no palco, Joia Rara e Grupo Mixtinho.

Jamais fez aula de canto. “Tinha receio de que tirassem a naturalidade da minha voz, minhas características”, explica.

Projeção nacional

fotos - imprensa (10)Aos 18 anos passou a compor. Desde então são cerca de 500 composições, solo e em parcerias com colegas como Edu e Júnior, Rubens Gordinho, Alexandre Cortês, Kiki Marcellos, Fábio Alemão e outros.

Em pouco tempo, seguiu carreira solo, destacando-se como letrista e músico, sendo reconhecido por compositores e sambistas de renome. Ederson logo tornou-se um dos mais queridos e respeitados sambistas da Baixada Santista.

Foi em 2009 que o artista viu, afinal, sua composição “Na Laje” (https://www.youtube.com/watch?v=1ZsPnzt-bkc) escolhida dentre mais de 1200 canções de grupos de compositores de todo o país, em um concurso promovido pela Rádio Transcontinental FM, de São Paulo, a emissora de samba de maior audiência no estado.

A música foi gravada por ninguém menos que o cantor Mário Sérgio (ex-Fundo de Quintal) em seu projeto solo, intitulado “Nasci pra Cantar e Sambar”. “Essa rádio nem alcança Santos, porém tenho um amigo que, na época, estava morando no Rio de Janeiro, o Kallango, e ele me ligou falando da promoção. Ele é meu parceiro musical. Inscreveu 12 canções, todas em parceria comigo. Eu mandei três, duas em parceria com ele e uma só minha. Por incrível que pareça essa última foi a escolhida e virou a música de trabalho do disco!”, celebra. O feito torna-se mais notável por conta das demais músicas do álbum terem a autoria de artistas como Dona Ivone lara, Claudemir, Arlindo Cruz, André Renato, Beto Sem Braço e Marcelinho Moreira.

 

Este acontecimento foi o estopim para novas parcerias com grandes compositores como Serginho Meriti, Renato Milagres, Carlos Caetano e Moisés Santiago, além do contato com outros grandes artistas como os cantores Reinaldo, Mumuzinho, Leandro Sapucahy, Grupo Sambô e o Grupo Fundo de Quintal. “Estamos falando da maior emoção que o samba me deu. Foi Ver o Fundo de Quintal cantando a minha música “Senhora Aparecida”, em homenagem à Nossa Senhora, de quem sou devoto. Raros artistas tiveram a honra de ver composições individuais sendo gravadas pelo Fundo de Quintal. Dorival Caymmi, Neguinho da Beija-Flor, Beto Sem Braço, poucos”, se emociona.

Em dezembro de 2014 conquistou mais um feito em sua carreira, quando venceu a promoção “Parceria com Sombrinha”, onde o mestre, agora seu parceiro no samba, o recebeu para a gravação de “Nos Braços da Desilusão”.

Tendo como referência os mestres João Nogueira, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, Ederson imprime sua própria identidade na música brasileira.

Com mais de 21 anos de carreira, 13 em carreira solo, Ederson finalmente gravou seu primeiro álbum em 2012. “Meu Samba Vai te Conquistar” traz 12 faixas autorais e está disponível no Spotfy: https://play.spotify.com/album/2NE5PF2PLAAmAPdM11AQi7?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open.

Em 2015,  gravou seu primeiro DVD. ”Pagode Puro” foi lançado em março do ano seguinte no tradicional Cine Roxy, de Santos, em sala completamente lotada.

Entre 2015 e 2016 realizou o sonho de contribuir, com sua arte, para a comunidade do bairro onde vive há sete anos, o Estuário. O projeto social e cultural “Samba Na Laje”, realizado durante cerca de 70 sextas-feiras na laje de sua própria casa, arrecadou cerca de 12 mil litros de leite para a creche Estrela Guia, de seu bairro, o Fundo Social de Solidariedade de Santos e outras entidades filantrópicas de Santos. “Chegou um momento em que não conseguíamos mais comportar todo o público e precisamos finalizar a iniciativa, mas foi um período de muito orgulho”, destaca.

Ederson segue levando as canções do DVD e do CD em rodas de samba pela região e outras cidades.

Endereços:

Guetto’s – Rua Quarta, 90 – Vicente de Carvalho, Guarujá
Maria Chuteira Bar – Av. Sen. Dantas, 415 – Embaré, Santos

Contatos Ederson dos Santos
Página: https://www.facebook.com/EdersonSamba/?fref=ts
Youtube: https://www.youtube.com/edersonsamba
André Vieira (produtor) – 99144-5115 – andrevieira.ssz@gmail.com