Rodrigo Simonsen conta novidades de sua editora para 2017

Rodrigo, criador e diretor da Editora Simonsen (divulgação).

Rodrigo, criador e diretor da Editora Simonsen (divulgação).

Parece que foi ontem. Mas passaram-se dois anos e vinte livros desde a primeira entrevista, quando o projeto engatinhava e seu responsável sonhava.

Mas os sonhos tornaram-se realidade e a Editora Simonsen passou a dar passos largos.  Publicou autores dos mais variados, veteranos e iniciantes, clássicos e contemporâneos.

A diversidade de temas e gêneros vez ou outra incomoda alguns intolerantes de plantão. Mas o publisher Rodrigo Simonsen, 33 anos, não dá ouvidos e continua o trabalho que tem arrancado elogios de veículos especializados e chamando a atenção do mercado.

| Rodrigo Simonsen e sua nova editora

Vinte e quatro meses depois ele volta a falar ao CulturalMente Santista e conta as novidades de sua (por enquanto) pequena empresa para 2017. Confira:

Capa (1)Dois anos depois, como você reflete a trajetória da Simonsen? Chegou onde pretendia?
Dois anos e vinte livros depois, posso afirmar peremptoriamente: não estou nem um pouco satisfeito. Se estivesse, não seria eu. Regozijar-se do próprio sucesso me parece uma das atitudes mais cafonas que alguém pode tomar. A menos que você seja um enviado dos céus – e ainda não tive a sorte de cruzar com seres angelicais neste digladiante mundo corporativo –, sempre dá para fazer mais e melhor. Isto posto, não deixo de ficar contente (e grato) com algumas conquistas: nossos livros foram alvo de capa da Veja, resenha da Folha de S. Paulo, matéria do Estadão, reportagem da GloboNews, recomendação do Manhattan Connection, dentre tantos outros veículos que entenderam nossa proposta e nunca deixaram de ser gentis. Também aumentamos as tiragens, o ritmo de publicação, a abrangência da distribuição e o número de colaboradores. Apesar de todas as dificuldades, foram anos venturosos.

Quais foram os principais livros publicados e que alcançaram o resultado, seja de venda ou de crítica, que você almejava?
Como todo pai, também tenho meus filhos preferidos. Cada um mora de pantufas em meu coração, mas não consigo deixar de destacar triunfos como o “Guia Politicamente Incorreto da Literatura”, a melhor defesa dos clássicos que conheço, “O Outro Lado do Feminismo”, que fincou bases para um debate tão contemporâneo quanto incipiente, “Depois do Fim”, uma ficção refinadíssima, escrita pelo advogado Alex Bezerra de Menezes e com orelha do professor Leandro Karnal, muito elogiada pela crítica, além da pequena joia chamada “Elogio da Leitura”, de um tal de Mario Vargas Llosa, vencedor de um tal Prêmio Nobel.

Você se arrepende de ter publicado algum livro?
De maneira alguma. Tomei bordoadas de todos os cantos, à esquerda e à direita, mas não arredo pé: meu projeto editorial, que está apenas começando, é profundamente plural, pouco sujeito a amarras ideológicas, regionalistas, apequenadoras ou croncêntricas. Tento dar espaço ao clássico e ao contemporâneo, ao renomado e ao escanteado, ao vizinho e ao forasteiro, sem exclusão por credo, cor, língua ou opinião política. Sou um editor à moda antiga, mas sempre olhando para o presente e o futuro, e, parafraseando António Lobo Antunes, edito pela mesma razão que a pereira dá peras.

CapaO que podemos esperar da editora para 2017? Pode revelar algum projeto?
Crescimento e consolidação. Num mesmo mês, lanço uma autora premiadíssima, minha favorita Maria Valéria Rezende, que aterrissa em março com seu belíssimo “A Face Serena”, e uma estreante na ficção, a jornalista Sabrina Abreu, que vem com o delicado “O Último Kibutz”. Logo em seguida, outro escritor bastante renomado, o norte-americano (que já esteve em Santos!) Tom Perrotta traz seu cult “Eleição” ao Brasil, na mesma época em que um jovem analista político português, Carlos Martins, chega por aqui com o arguto “Trump Contra o Status Quo”. Não podemos parar, nem por um minuto.

A crise afetou seu trabalho?
Sem dúvidas – mas não é de todo ruim trabalhar com o tridente a lhe espetar o traseiro, uma vez que não há a possibilidade de fraquejo, desistência ou acomodação, ainda mais a uma empresa tão jovem, comandada por alguém tão mais ou menos jovem. Estou com Taleb: antifrágil é aquilo que, em meio ao caos, melhora com a desordem. Acima de tudo, eu gosto do jogo. Quero crescer única e exclusivamente para jogar mais e mais.

Num país que ainda pouco se lê perto, quais as alternativas para um editor conseguir realizar seu trabalho, ainda mais em tempos de crise?
Cada vez mais estou convicto de que não produzo livros; conduzo ideias. “Mas, Simonsen, o que um livro de ficção tem a ver com isso?”, pergunta o leitor. E eu rebato: o que é uma história, senão uma narrativa passível de ser transformada em um mundo seu, real ou imaginário, e em uma vida sua, presente ou futura? Ou, nas palavras do mesmo Vargas Llosa, “a leitura transforma a vida em sonhos e os sonhos em vida”. Então passei a enxergar a editora como não apenas uma produtora de livros, mas uma produtora de conteúdo, em suas mais diversas configurações. Não à toa estou trazendo o TEDx para nossa região, ele que é o maior circuito de palestras do mundo. Nossos autores poderão dialogar com outros expoentes do pensamento, disseminar e refinar suas ideias, que migrarão para outras plataformas e serão retrabalhadas por outros, num sem-fim de possibilidades.

Fique à vontade para deixar um recado aos leitores do Culturalmente Santista.
Compreendo que, nos tempos que correm, ler um livro pareça tarefa demasiado aborrecida. É tudo tão rápido, tudo tão explícito, tudo tão vulgar… Ler, ao contrário, é atividade de monge, que necessita de um claustro, com regras e normas, e exige do leitor sua morte para o mundo, emparedado entre as páginas. Quando leio, deixo de existir. Depois que leio, entretanto, já sou outro. Talvez melhor. Talvez pior. Não há garantias. Mas vale o desafio.

capa em jpg



2 Comentários

  1. Parabéns ao Rodrigo pelo trabalho magnífico que está fazendo. Que venham mais livros da Simonsen.
    Ótima entrevista.
    Abraços.