Tammy Weiss apresenta o Instituto Querô para educadores

Foto: Isabela Carrari (Pref. Santos).

Foto: Isabela Carrari (Pref. Santos).

Nesta sexta-feira, a coordenadora do Instituto Querô, Tammy Weiss, apresenta o projeto para educadores da rede pública e ao público no Sesc Santos, a partir das 15h. Conversamos com ela para saber o momento que a instituição passa, as principais conquistas, as dificuldades e como o cinema pode contribuir com a educação. Confira:

Qual o atual momento do Instituto Querô? Quantos jovens são atendidos, de quantas cidades?
Atualmente atendemos 55 jovens das cidades de Santos, São Vicente, Cubatão e Praia Grande pelas Oficinas Querô, divididos em duas turmas. Temos também o projeto Querô na Escola em que os jovens capacitados nas Oficinas Querô aplicam oficinas de audiovisual dentro das escolas públicas. Esse ano estamos com o projeto em Cubatão e já beneficiamos mais de 900 alunos dos oitavos anos.

Além desses dois projetos pioneiros no Querô, em 2015 conseguimos crescer em várias frentes, com oficinas de audiovisual acontecendo no Sesc, pelo Sesc Juventudes, trabalhando audiovisual com jovens de 13 a 17 anos e público do Sesc, e uma das novidades é o projeto Cinema de Rua, em parceria com o Instituto Elos pelo Comunidades Empreendedoras. Juntos, as duas instituições e o grupo Guerreiros do Progresso, formado por lideranças da comunidade Vila Progresso, aplicam sessões de cinema ao ar livre e oficinas de documentário aos moradores. Desde 2006, quando iniciamos com as Oficinas, nossa equipe foi crescendo, não só no Querô mas também pela produtora Querô Filmes,  que vem ganhando destaque com clientes consolidados e grandes conquistas como o edital do PROAC para desenvolvermos o projeto do nosso primeiro longa-metragem. Sem contar os oito prêmios que conquistamos no Curta Santos, em um filme feito pela produtora (“Nau Insensata”) e outro por jovens do Querô (“Tempo é Morfina”). Está sendo um ano incrível.

Nesses anos, quais foram os maiores feitos do Instituto?
Até aqui, já conquistamos 45 prêmios e produzimos 85 filmes pelas Oficinas Querô. Mais do que números, nosso maior feito sem dúvida é poder proporcionar aos nossos jovens uma capacitação em audiovisual e ampliar o horizonte e perspectivas de vida. Até aqui, cerca de 300 jovens já passaram pelo Querô e 30% deles se mantém no mercado audiovisual, sem contar os mais de 3500 jovens das escolas de Santos e Cubatão que já estiveram com a gente pelo Querô na Escola, realizando 157 minimetragens. Além disso, firmamos em 2014 a parceria com a Prefeitura de Santos para a construção do nosso tão sonhado Cinescola, que funcionará dentro do Centro Temático de Cinema em Santos, ao lado do Mercado Municipal. As atividades do Querô serão todas transferidas pra lá, além de ganharmos um cinema de 120 lugares para exibições do Querô e a realização de eventos para ampliar o turismo na região e dar espaço a  tantos outros filmes e eventos que valorizam a produção audiovisual e a cultura regional.

Alguns jovens conseguem seguir carreira no audiovisual. Lembra de algum que tenha se destacado?
Temos muitos destaques como os gêmeos Nilton e Nildo Ferreira, Samuel de Castro, Maxwell Nascimento, Edu Bezerra, Juh Guedes, Jefferson Paulino, Erica Rodrigues, Edileis Novais, entre tantos outros que até hoje permanecem no audiovisual como roteiristas, produtores, diretores e fotógrafos, tendo produções exibidas no Canal Futura, viagens feitas para a Europa e filmes ao lado de grandes diretores. Nossos destaques mais recentes foram Edileis Novais que atualmente ingressa na equipe do MINC como analista de projetos audiovisuais, a Kamilli Semenov e o Daniel Queija, que acabaram de ganhar quatro prêmios no Curta Santos, entre eles, o de Melhor Direção pelo curta feito junto com o roteirista Rafael Aidar, tutor de direção da turma no ano passado.

Quais as dificuldades em coordenar um instituto que trabalha a inclusão?
Captação de recursos. Temos conseguido dar continuidade aos projetos, devido ao apoio de importantes parceiros, que acreditam no jovem como protagonista de suas próprias histórias. Parceiros como o Banco Votorantim, ThyssenKrupp e Anglo American que nos apoiam com as Oficinas Querô e Querô na Escola. O Instituto Elos pelo Cinema de Rua. A Viação Piracicabana que desde o início oferece transporte gratuito para que o nosso jovem venha para as Oficinas Querô sem custo nenhum, o projeto Dentista do Bem que oferece tratamento dentário gratuito, a Unimonte que nos cede espaço para a realização das aulas e os espaços culturais como MISS, Cine Roxy e Sesc que abrem as portas para eles gratuitamente, ampliando a bagagem cultural de cada um, além do apoio das prefeituras locais. Acredito que todos da região já tenham feito parte do Querô de alguma forma, direta ou indiretamente, e somos muito gratos por todo esse carinho e reconhecimento que as pessoas têm conosco na região. Sem dúvida, esses apoios são essenciais para nos mantermos e nos dá mais vontade de seguir em frente. Evasão ao projeto também é uma dificuldade. Porque algumas das famílias precisam que os jovens ajudem a complementar a renda familiar. Nossa equipe de assistência social busca oportunidades para os jovens e seus familiares, inscrevendo em programas do governo para que os jovens possam permanecer no projeto.

E quais as alegrias?
São muitas, muitas mesmo! Quando os resultados dos projetos realizados pelos jovens são positivos, quando os jovens conseguem uma oportunidade de trabalho, quando conquistamos um novo parceiro financeiro, quando exibimos os filmes dos jovens em festivais, espaços culturais e outros, e os filmes são muito bem recebidos, quando nossos meninos ganham prêmios em festivais pelos filmes realizados, quando vemos a evolução humana de cada jovem como cidadão mais participativo e generoso, quando os jovens representam o Instituto em debates do Unicef e outras instituições sociais, como também em Mostras de cinema e Festivais… São muitas e muitas.

Você apresentará o projeto para educadores. Qual o papel da cultura na educação? E mais especificamente, o cinema pode contribuir como na formação de alguém?
Nós do Querô pensamos muito na cultura e na arte em geral como um complemento para a educação atual. Cinema e Educação precisam andar juntos. Hoje em dia compreendemos que não podemos nos limitar apenas às salas de aula, temos que buscar diariamente novos recursos para estimular esses jovens já tão conectados e que recebem uma carga enorme de informações por dia. E quando pensamos em outros recursos, a arte e o audiovisual são ferramentas que contribuem para o aprendizado do jovem, tornando a educação mais ampla e inclusiva. O cinema e a arte trazem o estudo na prática. O cinema é uma arte plural e tem espaço para todo mundo, ajudando a trazer à tona esse contato com o próximo e a importância de se trabalhar em equipe para que a conquista aconteça.

Fique a vontade para deixar um recado aos leitores.
O audiovisual é poderoso em diversos aspectos. Pode ser manipulador, informativo, artístico, enfim, penso que esse poder da ferramenta deva ser utilizado de forma consciente, como um meio de transformação social por exemplo. A educação precisa cada vez mais estar aberta para as novas tecnologias do setor, formando não só o olhar como também mão de obra especializada. E o audiovisual não se faz sozinho. É caminhando juntos que vamos alcançar o resultado que todos queremos, seja voltado à cultura, às áreas sociais, de educação e inclusão.