CineZen: Política cultural | Saiba como foi

Fotos: Carlos Oliveira


Neste sábado (29), às 20h, na Ao Café, aconteceu a primeira edição do “CineZen – Política Cultural em Santos e Região”, encontro beneficente em prol da Casa Vó Benedita e que reuniu profissionais atuantes na produção cultural da Baixada. O bate-papo, organizado e mediado pelo jornalista André Azenha, começou com uma questão endereçada a todos os convidados: “Na sua visão, qual a atual situação da política cultural em Santos e região? Há políticas públicas suficientes na área cultural? Não há? O que pode melhorar?”

Cada um teve dez minutos para responder. Depois, houve uma parada para o sorteio de livros e revistas cedidos por artistas integrantes da mesa e outros que marcaram presença na plateia, mais vales da Vídeo Paradiso, apoiadora cultural do CineZen. Depois de vinte minutos, o debate seguiu com as perguntas feitas pelo público.

Membros do debate: Marcelo Ariel, Téo Ruiz, Jamir Lopes, André Azenha, Marcelo Rayel, Leandro Taveira e Ricardo Vasconcellos

Artistas e pessoas ligadas à cultura regional foram à Ao Café, a exemplo da cantora Alice Mesquita, os escritores Marcio Callegaro, Madô Martins, Regina Alonso, Sidney Sanctus, Vieira Vivo e Cláudia Brino, e o cineasta Carlos Oliveira.

Quem viu, viu. O escritor Marcelo Ariel, antes de iniciar sua fala, reservou quatro dos dez minutos para a resposta e prestou homenagem a Nelson Cavaquinho. Sacou o celular e deixou rolar uma canção.

A seguir, alguns momentos proporcionados pelos debatedores. Caso queira ouvir o áudio completo do evento, faça o download aqui

“Não é que não existem políticas públicas na área cultural em Santos. Ainda é um pouco acomodado, tanto por parte do governo, tanto por parte da própria população. Não existe uma injeção de ânimo para uma discussão. Essa injeção deve ser aplicada por nós, agentes culturais.  Se houver uma discussão onde a gente possa implantar programas, leis, projetos, em discussão com a população, a gente pode ter uma visão melhor e realizar coisas de acordo com as necessidades da cidade” – Ricardo Vasconcellos

“Vivemos o momento da profissionalização da cultura, do artista. Os artistas queriam fazer arte, mas não pensavam nessa arte enquanto trabalho, em  exercer a função que deve ser remunerada. Hoje eu sinto que o artista começa a ver que a arte pode sim render frutos. O artista precisa sim conhecer ao menos um pouco de projetos, de patrocínios, de gerenciamento. Nem que ele precise saber um pouco para poder contratar alguém, passar esses serviços para outras pessoas e acompanhar o processo” –  Leandro Taveira


“Há política cultural em Santos? Há. É uma política principalmente voltada para o projeto e o evento. Não se pode dizer que o Festa, o Curta Santos, o Mirada, não são nada. Só que, de repente, a gente tem o interesse da administração pública sobre o evento e não sobre a criação de uma política onde a gente possa envolver o nosso principal alvo: que é o público. Estamos tentando entender quem é o público que poderia participar da nossa peça de teatro, assistir o nosso curta-metragem, ler o nosso livro” –  Marcelo Rayel

“Há vários aspectos importantes dentro do nosso meio cultural, a parte de formação, parte de fluição das artes, parte de preservação do patrimônio material e imaterial, e a parte de fomento. Santos, inegavelmente, tem uma programação cultural de eventos riquíssima, cada vez mais diversificada. É claro que muita coisa pode ser melhorada” – Jamir Lopes

Quando a gente fala de cultura, fala de um setor que é subestimado na sociedade brasileira. É um setor que representa uma fatia extremamente importante do nosso PIB, gera muita renda e emprego, e mesmo assim é um setor que não possui um devido cuidado e uma atenção em relação às políticas públicas. Percebemos poucos avanços. Justamente por que a cultura não é vista ainda como um setor que gera emprego, como profissão. E o momento que vivemos é de mudança, dos artistas se colocarem de maneira mais ativa e dizer que a cultura precisa estar mais bem representada nos estudos econômicos e sociais” – Téo Ruiz

“O artista é parte do povo. Obviamente o artista vive mal. A situação é ruim. Ser artista no Brasil é uma merda. Foram Mussolini e Hitler que constituíram esse tipo de controle, de patrocínio. Patrocínio vem de patrão. Artista não tem que ter patrão. Tem que criar. O povo que não e civilizado, logo não sabe o que é cultura. A favela está cheia de Van Goghs, Rimbauds, os presídios estão cheios de Cartolas, Nelsons Cavaquinhos. Por que não acontece nada?” – Marcelo Ariel

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Os participantes da mesa:

Jamir Lopes é Produtor Cultural com experiências nas áreas públicas e privada. Pós-graduado em Gestão Cultural pela Universidade de Girona (Espanha) e pelo Observatório Itaú Cultural (São Paulo). Implementou e coordenou projetos de destaque na cidade como: “Música na XV”, CarnaBonde, Virada Cultural Paulista, entre outros. Atualmente, na Secretária Municipal de Cultura de Santos, é o Coordenador de Informação e Centros Culturais, responsável pela gestão da rede municipal de Bibliotecas Públicas e pelos eventos literários. Coordena, ainda, os projetos musicais “Chorinho no Aquário” (semanal) e o Festival Caros Amigos de Santos (anual).

Leandro Taveira é produtor cultural e conselheiro de teatro e circo no CONCULT Santos. É formado em Administração de empresas com certificação pela FGV e em 2007 abriu sua própria produtora em Santos, a Via Arte Produções. Coordenador geral do Festival Santista de Teatro – FESTA 53, evento no qual atua desde 2006. É também conselheiro-fundador do Núcleo de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de Santos, ACS-Jovem.

Marcelo Ariel é poeta e performer, autor dos livros “Me Enterrem com Minha AR-15” (Coletivo Dulcinéia Catadora, 2007), “Tratado dos Anjos Afogados” (Letraselvagem Edições, 2008), “O Céu no Fundo do Mar” (Coletivo Dulcinéia Catadora, 2009), “Conversas com Emily Dickinson e Outros Poemas” (Selo Orpheu, 2010), “Samba Coltrane” (Yi Yi Jambo Cartonera, 2010), “A Morte de Herberto Helder” (Sereia Cantadora, 2011) e “A Segunda Morte de Herberto Helder”  (21 Gramas Edições-Curitiba-2011). Atualmente desenvolve pesquisas sobre zonas de exclusão e zonas de conflito para seu próximo livro, é vice-presidente do Conselho Municipal de Cultura de Cubatão e um dos editores da revista eletrônica Pausa (revistapausa.blogspot.com).

Marcelo Rayel é conselheiro de Livro e Literatura do Conselho Municipal de Cultura de Santos (Concult), formado em Letras com habilitação em tradução pela Universidade Católica de Santos. É tradutor, escritor, revisor e professor de língua inglesa, com publicação na revista literária Mirante 74. Atuou como revisor do livro “Blogs do Além”, de Vitor Knijnik, e responde pela coluna Bomba de Cobalto, do CineZen, além dos blogs Pela Proa e Literaturial, este segundo como crítica literária.

Ricardo Vasconcellos é Diretor Geral do Curta Santos, assistente de coordenação da Oficina Cultural Pagu, conselheiro do  segmento audiovisual e multi-meios  do CONCULT Santos. e produtor cultural. Formado em administração de empresas com especialização em Gestão do 3º Setor (MBA – Unisantos). Na área artística, foi aluno especial de pós-graduação Artes Cênicas da Unicamp, ator, diretor teatral premiado em vários festivais brasileiros desde 1991.

Téo Ruiz é músico, compositor e produtor atuante, pós-graduado em Música Popular Brasileira pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Em 2010, concluiu seu mestrado em música hispana na Universidad de Valladolid, Espanha. Foi solista do Coral da UFPR, estuda violão e percussão e fez diversos cursos de aperfeiçoamento. Participou de CDs e de vários festivais, eventos de música e poesia pelo país. Idealizou o projeto Independência ou Sorte junto com Estrela Leminski e Makely Ka, importante evento da cena musical independente. Desenvolve oficinas e workshops sobre música brasileira e indústria musical. Em 2006, gravou o CD “Música de Ruiz” (primeiro trabalho solo com Estrela Leminski) de composições e parcerias com participações de Carlos Careqa, Glauco Soter, Ângelo Esmanhoto entre outros. É o escritor do livro “Contra-Indústria” (2006), base de suas oficinas e workshops sobre indústria musical. Seu último disco de composições, “São Sons”, lançado em 2011, também em conjunto com Estrela Leminski, traz diversas parcerias e participações. Elaborou e coordenou diversos outros projetos de sua autoria pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba. Desde 2005, atua como um dos representantes do Paraná em debates e discussões sobre políticas públicas para a cultura junto ao Ministério da Cultura e ao Fórum Nacional de Música, do qual hoje é o Interlocutor Geral. Está a frente da WhoIs Produções.

André Azenha: Jornalista, crítico de cinema, editor do www.cinezen.net e do CulturalMente Santista (santoscultural.net). É formado em Roteiro pela Escola de Cinema de São Paulo. Foi repórter e colunista de sites, revistas e jornais de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Alagoas. Desde 2007 é repórter da Veja Litoral Paulista. Em 2008, publicou seu primeiro livro, “Poesia a Quatro Mãos”, escrito em parceria com sua mãe e poetisa Regina Azenha. Trabalhou com o crítico de cinema Rubens Ewald Filho entre 2008 e 2009. Em 2011, fez críticas de filmes para a revista Época São Paulo. No mesmo ano, passou a assinar colunas semanais no portal do Curta Santos e no Jornal da Orla. Mediou o ciclo Documentários Comentados, no Sesc Santos. Participa de e organiza ciclos de cinema e eventos culturais. Colabora com a revista literária Mirante e o Clube de Poetas do Litoral. Também é assessor de imprensa: atuou em agências de comunicação de São Paulo de 2008 a 2011. Em 2009, assessorou a Feira Música Brasil, maior evento do gênero na América Latina, ocorrido no Recife. Criou o CineZen em março de 2009 e no ano seguinte passou a organizar do “CineZen Convida”, com o objetivo de estimular a discussão e a produção cultural. Em 2011, lançou o site CulturalMente Santista, que visa criar um registro jornalístico, na internet, da memória cultural de Santos e região. Escreve também no blog pessoal www.andreazenha.com. Contato: editor.cinezencultural@gmail.com e 13 9744-3726.

Organização:

CineZen: Site independente sobre cinema, DVD e Blu-ray, TV e eventualmente literatura, quadrinhos, teatro, música e artes plásticas, lançado em 29 de março de 2009. Tem o objetivo de informar, analisar obras e cobrir eventos dessas áreas (com atenção para a Baixada Santista) e prestar serviços. Semanalmente publica críticas das estreias de cinema e lançamentos em home vídeo, desde filmes contemporâneos até clássicos e cults, colunas, contos, crônicas, reportagens e vídeos, entre outras novidades. Conta com colaboradores de Santos, São Paulo, Santa Catarina, Recife e em 2010 firmou parceria com a Cinemaki, rede social para a discussão de cinema, com membros do Brasil, Argentina, Chile, México, Colômbia, Peru, Venezuela, Espanha, Índia, Estados Unidos e Reino Unido. Atualmente conta com 56 mil acessos únicos mensais. Pode ser acessado pelos endereços www.cinezen.net ou www.cinezencultural.com.br. Contatos: editor.cinezencultural@gmail.com e 13 9744-3726.

Apoio cultural:

Ao Café: Instalada em uma aconchegante casa, rodeada de muito verde, a Cafeteria Ao Café, inaugurada em maio de 2006, se ressalta não só pelo atendimento personalizado, mas principalmente como um local onde se respira cultura. O cardápio possui 20 tipos de café, entre gelados e quentes. Quem preferir um chazinho, a casa possui 33 opções: nacionais e importados, quentes ou gelados. Foi a primeira cafeteria a trazer para a cidade de Santos as famosas sodas italianas. São oito sabores: destacam-se: amora, cereja e maçã-verde. A cafeteria também oferece cervejas long neck Bohemia Pilsen, Bohemia Escura, e a belga Stella Artois, e sorvetes da marca La Basque. Para acompanhar as bebidas a tentação fica por conta dos bolos e salgados. A programação cultural da casa é eclética e pode ser conferida no site www.aocafe.com.br.

Vídeo Paradiso: Locadora que completou 20 anos de atuação em agosto de 2011, possui um acervo com mais de 17 mil títulos, entre DVDs, Blu-rays e fitas VHS. Tem sido parceira e apoiado projetos culturais da região, como da Cinemateca de Santos, Cineclube Lanterna Mágica, Oficinas Querô, cujos curtas são disponibilizados para locação gratuita, Sesc, Curta Santos e o CineZen. Mais em www.videoparadiso.com.br.



One Comment

  1. Aegemiro Antunes wrote:

    Está dada a largada, agora é estudar meios de chegar ao chamado público-alvo, o que é meio complicado nesta nossa cidade onde a molecada está agora padronizada pelo original corte de cabelo do Neymar e o que ele faz com as pernas. Até algumas pessoas ligadas às artes não conseguem resistir a essa coqueluche. Lúscar, o cartunista, quando Pelé declarou que os brasileiros não estavam preparados para votar, ecoando sons emitidos pelo planalto em plena era Médici, que foi a maior máquina de moer carne da série gemada, o desenhou com cabeça de chuteira. As cabeças não mudam, daí esse trabalho dos escritores que têm que lutar para “erguer um poente” como disse Garcia Lorca.